Design systemHouston DS2024

Os produtos da Eduzz pareciam de empresas diferentes. O Houston virou o lugar onde design e engenharia consultam a mesma resposta.

Cliente
Eduzz
Papel
Product designer (projeto de design system para a Eduzz)
Leitura
2 min
Disciplinas
Design system, UI Design, Acessibilidade, Documentação
Página de boas-vindas do Houston, o design system da Eduzz, com vídeo de apresentação

O contexto

A Eduzz não é um produto, é um ecossistema: checkout, área de membros, painel do produtor, ferramentas de marketing, apps. Cada um nasceu num momento diferente, com um time diferente, e carregava as próprias escolhas de botão, cor, espaçamento e tom.

Para quem usa, isso aparece como uma sensação difusa de que “cada parte funciona de um jeito”. Para quem constrói, aparece como retrabalho: o mesmo componente desenhado e implementado várias vezes, cada vez um pouco diferente.

A dor

Três sintomas se repetiam:

  • Lentidão para lançar. Cada feature nova começava do zero na interface.
  • Manutenção cara. Mudar um padrão significava caçar o mesmo elemento em vários produtos.
  • Decisões sem referência. Produto, design e engenharia discutiam a mesma dúvida várias vezes, porque não havia um lugar para consultar a resposta.

O estudo

Antes de desenhar componente, o projeto começou alinhando com o time da Eduzz para que o sistema existia. Os objetivos viraram a primeira página da documentação e o critério para decidir o que entrava ou não no Houston:

Seis objetivos do Houston: reduzir time-to-market, facilitar manutenção global, padronizar a consistência, apoiar decisões de produto, engenharia e design, valorizar o aprendizado e oferecer um ecossistema de componentes
Os seis objetivos do Houston. Cada componente precisava servir a pelo menos um deles.

O nome veio da própria cultura da empresa. A Eduzz já usava uma temática espacial nos nomes de produtos e no mascote; um sistema que existe para dar suporte a quem está construindo só podia se chamar como o centro de controle mais famoso do mundo.

Página "Por que Houston?" explicando a origem do nome ao lado de componentes de feedback
We are Houston and we solve problems. O nome também explica a função.

A solução

O sistema foi organizado em camadas:

  1. Tokens globais: cores, tipografia, espaçamento, raios e sombras compartilhados por todos os produtos.
  2. Tokens de marca: cada produto do ecossistema tem sua paleta, mas herda a mesma estrutura. Isso permite ter identidades distintas sem quebrar a consistência.
  3. Componentes: botões, formulários, feedback, navegação, cada um com uso, anatomia, código e acessibilidade documentados.
  4. Conteúdo: diretrizes de escrita e tom.
Página inicial da documentação do Houston com as seções Global Tokens, Brand Tokens, Componentes e Conteúdo
A documentação como produto: um site próprio, organizado pelas camadas do sistema.
Página de Brand Tokens com a paleta da marca Órbita
Brand tokens: cada produto tem a sua paleta, sobre a mesma estrutura de nomes.

A página de cada componente segue a mesma estrutura, com abas de Design, Uso, Código, Acessibilidade e Como testar. Assim, quem chega de design ou de engenharia encontra a mesma fonte da verdade.

Documentação do componente Button com abas de design, uso, código e acessibilidade e a hierarquia de botões
Um componente, uma página, as mesmas abas para todo mundo.

No Figma, a biblioteca espelhava a documentação: tipografia, componentes e ícones organizados para serem consumidos pelos times de produto.

Biblioteca de ícones do Houston no Figma
Biblioteca de ícones no Figma.
Componentes do Houston em uso: tipografia, avatares, cards, alertas e navegação

O que mudou

Os times de produto ganharam um ponto de partida comum. Uma dúvida de interface passou a ter endereço (a documentação), e uma mudança de padrão passou a acontecer num lugar só e se propagar para os produtos.

O que eu levo desse projeto

Design system é produto interno, e o usuário dele é o time. A parte mais importante não foi o componente mais bonito, foi a documentação com as mesmas abas para design e engenharia. Um sistema que ninguém consulta não padroniza nada.

Essa lição ficou mais atual quando passei a construir com agentes de IA. Agente não adivinha padrão, segue o que está escrito. Token com nome e regra de uso documentada servem para os dois: para o time e para o agente.

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